A prática da Telefonoaudiologia no Brasil passou por uma significativa evolução regulatória ao longo dos anos. O arcabouço normativo estabelecido pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) tem sido fundamental para orientar e adaptar a atuação dos profissionais de fonoaudiologia diante das transformações tecnológicas e sociais. Neste artigo, exploraremos as principais resoluções do CFFa, além de considerar o contexto da evolução da internet no Brasil, para compreender a trajetória da Telefonoaudiologia no país.
Em 2001, a Resolução CFFa nº 267 marcou o início do processo regulatório ao proibir o diagnóstico e a terapia fonoaudiológica realizados por meio da internet ou outros meios de comunicação. Naquela época, apenas cerca de 12% dos domicílios tinham acesso à internet, conforme revelado pela pesquisa TIC Domicílios.
A evolução ganhou impulso em 2009, com a Resolução CFFa nº 366, que autorizou o uso de meios de comunicação na prática fonoaudiológica, desde que houvesse o acompanhamento presencial de outro fonoaudiólogo. Contudo, a adesão era limitada, visto que somente 27% dos domicílios possuíam acesso à internet, dos quais apenas 7% tinham uma conexão superior a 2Mbps.
Em 2013, a Resolução CFFa nº 427 trouxe maior precisão à prática da Telessaúde em Fonoaudiologia, distinguindo entre atendimento síncrono e assíncrono. As modalidades de Teleconsultoria, Segunda Opinião Formativa, Telemonitoramento e Teleducação foram estabelecidas, com o Telediagnóstico restrito ao ambiente acadêmico. A pesquisa TIC Domicílios revelou um aumento para 43% dos domicílios com acesso à internet.
O ano de 2020 significou um marco regulatório com a Resolução CFFa nº 580, que redefiniu a prática como “Telefonoaudiologia” e assegurou liberdade e independência para o fonoaudiólogo decidir pela utilização da Telefonoaudiologia ou sua recusa. A pandemia de COVID-19 e as restrições de mobilidade podem ter se tornado elementos-chave para essa mudança, pois a prática se tornou uma necessidade diante das limitações do atendimento presencial. Além disso, o maior acesso da população a internet de alta velocidade possibilitou a expansão da oferta de tratamento fonoaudiológico para toda a população, acompanhando tendências internacionais nos últimos 10 anos. A pesquisa TIC Domicílios de 2020 indicou que 83% dos domicílios possuíam acesso à internet, refletindo a crescente conectividade no país.
Junto com a regulamentação, diretrizes éticas foram ratificadas para garantir a eficácia dos serviços, mantendo os padrões fonoaudiológicos mesmo no contexto virtual. A Resolução ressalta a importância de respeitar a infraestrutura tecnológica, os recursos humanos e materiais adequados, bem como obedecer às normas de guarda, manuseio e transmissão de dados.
Em suma, a evolução regulatória da Telefonoaudiologia no Brasil reflete não apenas o avanço tecnológico, mas também a necessidade de adaptar as práticas de saúde às demandas emergentes, como evidenciado pela pandemia de COVID-19. O compromisso ético e a busca pela qualidade nos serviços prestados são elementos essenciais que continuam a guiar a prática da Telefonoaudiologia no país.
