Na pesquisa realizada em 2023, tivemos uma análise do perfil profissional dos fonoaudiólogos que fazem atendimento de forma remota, ou seja, atuam com por meio da Telefonoaudiologia.
Um dos primeiros aspectos que podemos levar em consideração é que a Telefonoaudiologia possibilita o atendimento em qualquer região do mundo utilizando a tecnologia. Ou seja, um brasileiro vivendo na Alemanha ou no Japão, agora pode contar com o tratamento em seu idioma nativo sem muitas complicações. Dessa forma, os profissionais podem se deslocar para outras regiões e não estar necessariamente apenas nas grandes metrópoles.
A seguir, vamos analisar alguns dados sobre os profissionais que atuam com Telefonoaudiologia no Brasil.
Podemos observar a localidade de residência dos participantes da pesquisa no gráfico a seguir. Temos uma presença maior de pessoas residindo no Brasil, mas também obtivemos respostas com profissionais brasileiros que residem em Portugal, país membro da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP). Provavelmente essa presença em Portugal é reflexo da continuidade da quarta onda migratória, conforme indicado pelo estudo de Fernandes, Peixoto e Poleto Oltramari (2021).
GRÁFICO 1 – Região de residência dos participantes
DOMINGUES, Lais (2023)
Neste resultado, também temos a distribuição dos profissionais participantes da pesquisa onde vemos uma maior concentração com respostas de profissionais da Região Sudeste, seguida da Região Nordeste e da Região Sul. Usando os dados oficiais do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) de janeiro de 2023, a distribuição de profissionais no país acompanha esse resultado, onde temos 50,4% dos profissionais da Região Sudeste, 18,4% dos profissionais na Região Nordeste e 14,9% dos profissionais na Região Sul.
No gráfico a seguir, vemos uma concentração significativa dos profissionais atuando nas áreas de Linguagem e Voz, com um segundo grupo de concentração de profissionais atuando com Fluência e Motricidade Orofacial.
GRÁFICO 2 – Áreas de atuação na Telefonoaudiologia
DOMINGUES, Lais (2023)
Não existem dados disponíveis sobre as áreas de atuação dos profissionais de forma a comparar essas informações de forma direta. No trabalho de pesquisa completo, é possível verificar uma comparação estimando o quantitativo com base no cadastro de profissionais especialistas.
Um fator que muitas pessoas podem se preocupar é com a efetividade do tratamento por Telefonoaudiologia. No gráfico a seguir, coletamos as percepções dos profissionais sobre as diferenças em relação ao tempo de alta, levando em conta a área de atuação dos profissionais.
GRÁFICO 3 – Percepções sobre diferenças entre o atendimento presencial e a Telefonoaudiologia em relação ao tempo de alta, por área de atuação
DOMINGUES, Lais (2023)
Ao fazer essa correlação, podemos observar que em todas as áreas de atuação a maioria dos profissionais não perceberam diferenças. Não podemos ignorar as percepções com cenários onde o atendimento por telefonoaudiologia apresentou resultados com um tempo menor, semelhante aos casos reportados para atendimentos presenciais. Áreas como a de Voz, Disfagia, Fonoaudiologia Neurofuncional e Fonoaudiologia Hospitalar foram as que se destacaram com uma tendência de preferência pelo atendimento presencial em função do tempo de alta na comparação direta. Isso reforça o parecer da Resolução CFFa nº 580 que estipula ao profissional decidir pelo o uso da telefonoaudiologia ou o atendimento presencial.
Finalmente, podemos correlacionar o ano de formação dos profissionais com o contato com telefonoaudiologia na universidade, temos o gráfico a seguir.
GRÁFICO 4 – Ano de formação e o contato prévio com o tema Telefonoaudiologia durante a graduação
DOMINGUES, Lais (2023)
Neste gráfico, podemos verificar o aumento da presença da telefonoaudiologia a partir do grupo que compreende o período de 2006 até 2010 nas universidades. Cabe lembrar que durante esse período existiu a mudança regulatória introduzida pela Resolução CFFa nº 366, de 25 de abril de 2009, na qual foi permitido que os profissionais de Fonoaudiologia utilizassem meios de comunicação para o atendimento, desde que existisse o acompanhamento por outro Fonoaudiólogo presencialmente.
Assim, podemos entender que os profissionais que estão chegando no mercado mais recentemente, já estão com formação na área, e que os profissionais com mais experiência, estão buscando se qualificar para essa promissora modalidade de tratamento.
Para mais detalhes, consulte a pesquisa completa disponível em http://dx.doi.org/10.13140/RG.2.2.23735.50083/1.
